Julho 05, 2026
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    Recuperação? Mercado de trabalho continua exibindo fragilidade da economia

    Em 2019, o desemprego parou de cair, mas se manteve em nível elevado, com o mercado de trabalho indicando precariedade ao abrir vagas não formais, com menor grau de proteção. De cada 10, de sete a oito são informais, observa o economista Sérgio Mendonça, ex-secretário de Recursos Humanos e ex-diretor-técnico do Dieese.

    Se os resultados de 2019 foram menos ruins, a comparação com 2014 mostra que o país piorou. O número médio de desempregados, por exemplo, passou de 6,699 milhões para 12,575 milhões, crescimento de 87,7%, conforme  os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE.

    No mesmo período, foram abertas 1,752 milhão de vagas, para um total de 93,390 milhões de ocupados. Mas o que aumentou, de fato, foi o emprego no setor privado sem carteira assinada e o trabalho por conta própria. De 2014 a 2019, segundo o IBGE, o país eliminou 3,231 milhões de empregos com carteira (-8,9%), abrindo 3,038 milhões de vagas por conta própria (14,3%) e 1,267 milhão de ocupações sem carteira (12,3%).

    Para Mendonça, hoje apenas os juros, em baixa, representam um fator de estímulo para o crescimento. Além da dificuldade de recolocação no mercado de trabalho, ele observa que a recente “reforma” da Previdência, aprovada no ano passado, é “anticonsumo”.

    Ele acredita que pode haver algum crescimento neste ano, em torno de 2% a 2,5%, “na ausência de um choque externo”, ressalta. “É provável que eles queimem as reservas para segurar o câmbio, como estão fazendo. Temos fôlego para uma pressão cambial de curto prazo. O investimento privado não está acontecendo, a não ser pontualmente.” A construção civil mostra certa recuperação, mas o economista questiona se haverá demanda para os novos apartamentos. “Pode ser uma bolha.”

    Mesmo o emprego formal, que teve certa expansão em 2019 (saldo de 644 mil vagas, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério da Economia), deve parte dessa alta ao trabalho intermitente e parcial, com menor proteção. E os salários de quem entra no mercado são menores que os daqueles que saem. Mendonça observa que isso ocorre historicamente, mas faz uma ressalva: “A diferença está alargando”.

     

    Mercado de trabalho 2014/2019
     
    * Ocupados
    91.638.000
    93.390.000
    + 1,9%
     
    * Desempregados
    6.699.000
    12.575.000
    + 87,7%
     
    * Empregados com carteira
    36.450.000
    33.219.000
    -8,9%
     
    * Empregados sem carteira
    10.313.000
    11.579.000
    +12,3%
     
    * Trabalhador por conta própria
    21.183.000
    24.221.000
    +14,3%
     
    Setores 2014/2019
     
    * Construção
    Menos 1,1 milhão de ocupados
     
    * Agricultura/pecuária
    Menos 1,8 milhão
     
    * Indústria
    Menos 1,2 milhão
     
    * Comércio/reparação de veículos
    Estável
     
    * Administração pública/seguridade/educação
    Mais 1,3 milhão
     
    Fonte: Rede Brasil Atual