Abril 23, 2024
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Movimentos negros protestam contra chacinas policiais

Um grande conjunto de movimentos negros realiza, nesta quinta-feira (24), a Jornada dos Movimentos Negros Contra a Violência Policial, com atos em todo Brasil. A mobilização está sendo articulada em protesto às chacinas policiais que, no fim de julho e início de agosto, mataram pelo menos 32 pessoas na Bahia, 20 em São Paulo e 10 no Rio de Janeiro.

Entre as mais de 250 entidades que organizam a jornada estão Movimento Negro Unificado (MNU), Agentes de Pastoral Negros do Brasil, Associação de Mães e Familiares de Presos e Presas (Amparar), Frente Nacional de Mulheres do Funk, Geledés – Instituto da Mulher Negra, Unegro, Conen e Uneafro Brasil.

Mãe Bernadete

Os atos também exigem justiça por Mãe Bernadete Pacífico, ialorixá e líder do Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho (BA), brutalmente assassinada no último dia 17 de agosto em sua casa, na frente dos netos.

Em nota, a Uneafro denuncia que o “assassinato brutal de uma líder política, quilombola, mulher negra e do candomblé mostra a face do Brasil real, violentamente racista, machista, misógino, que persegue lideranças negras e é intolerante com as religiões de matriz africana. Mãe Bernadete passou os últimos anos denunciando o assassinato de seu filho Binho, pelas mesmas motivações”.

Postura violenta

O movimento ressalta que a postura violenta das forças de segurança estaduais tem espalhado terror em milhares de comunidades e favelas de periferias urbanas do país. O mote usado pela jornada é: “Pelo fim da violência policial e de estado, nossas crianças e o povo negro querem viver! Chega de Chacinas!”

Outra reivindicação é que o Supremo Tribunal Federal (STF) vete “operações policiais com caráter reativo” e “grandes operações invasivas em comunidades sob pretexto do combate ao tráfico”, usando como jurisprudência a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) das Favelas, instituída durante a pandemia de covid-19.

Para o secretário de Combate ao Racismo da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Almir Aguiar, “instituições policiais em todo país precisam ser reconstruídas, já que o racismo institucional é incentivado no curso de formação dos novos policiais, colocando o negro sempre como suspeito”. Almir denuncia que, “enquanto houver essa política de atirar primeiro e perguntar depois, pessoas negras serão mortas ou feridas. Das 47.508 mortes registradas pelo Anuário de Segurança Pública em 2022, mais de 50% eram crianças e jovens com idade entre 12 e 29 anos. Em 2022 foram 6.429 mortos por intervenções policiais, 17 por dia. É lamentável o que aconteceu com Eloah e com tantas outras crianças no Brasil”.

Almir reafirma que “a Contraf-CUT mantém sua política antirracista, e em novembro realizará o 7º Fórum Nacional pela Visibilidade Negra no Sistema Financeiro. É importante que bancários e bancárias participem dos protestos da jornada, neste dia 24, e também se inscrevam para o Fórum, que será na cidade de Porto Alegre”.

Confira a agenda dos atos já confirmados:

Norte

Manaus (AM): praça da Saudade, às 16h

Macapá (AP): Mercado Central, rua Cândido Mendes, às 16h

Rio Branco (AC): Assembleia Legislativa, das 8h às 12h

Nordeste

Recife (PE): praça UR11, Ibura, às 16h30

Aracaju (SE): praça Camerino, às 15h

Teresina (PI): em frente ao Parque da Cidadania, às 16h

Santo Antônio de Jesus (BA): praça de São Benedito, às 9h

Centro-Oeste

Brasília (DF): Museu Nacional, caminhada até o Ministério da Justiça, às 15h

Cuiabá (MT): praça da Mandioca, em frente ao Centro Cultural Casa das Pretas, às 12h

Sudeste

São Paulo (SP): MASP, avenida Paulista, às 18h

Limeira (SP): praça Toledo de Barros, Centro, às 18h

São José do Rio Preto (SP): Defensoria Pública, às 12h

Jarinu (SP): praça da Matriz, às 18h

Belo Horizonte (MG): praça 7, às 17h30

Juiz de Fora (MG): em frente à Câmara Municipal, às 18h

Rio de Janeiro (RJ): Candelária, às 16h

Vitória (ES): praça de Itararé, às 16h

Sul

Curitiba (PR): praça Santos Andrade, às 18h

Florianópolis (SC): em Frente ao Morro do Mocotó, às 18h

Porto Alegre (RS): concentração na esquina Democrática, às 17h30

Fonte: Contraf-CUT